sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Post Scriptum, vulgo P.S.

Réplica e tréplica sobre queimar um livro de auto-ajuda.




Camila Miranda disse...
Antes de pensar em queimar algum documento, reflito se este não serve para alguém, seja qual for o motivo. Quem trabalha nessa área cuja ferramenta é o registro impresso com o intuito da construção do conhecimento e saber está proibido de cometer um ato tão radical, pois estará interrompendo o ciclo: leitura, reflexão, construção do senso crítico.
Com assim? A Camila pirou? Não. Uma vez que acontece a queima estarei eu interrompendo a oportunidade de alguém ler e refletir se é bom ou ruim, por ela mesma.
Quem sou eu para ditar ou cessar possíveis leituras? Prefiro o método empírico de aprendizagem: ler e não gostar. Deixando assim a oportunidade do próximo tirar suas próprias conclusões.
Camila Miranda disse...
Dado o assunto, que na minha opinião é demasiadamente importante e oportuno (acho bacana discutir essas questões), indico ler ou assistir ao filme Fahrenheit 451. Muito bom!!



Clara Ramthum diz...

Tenho este filme! Muito bom mesmo!

Camila, também sou dessa área. Já salvei e cuidei de muitos livros, tentei concurso pra restauradora, trabalho constantemente com acervos, sei desse valor. Mas esta foi mesmo uma "performance". Com um significado: sacrifiquei algo por uma limpeza. Foi como um ritual, estava queimando a insegurança que faz as pessoas buscarem ajuda no mundo de fora invés de no interior. Nas palavras soltas dos outros...

Este livro, que fiz questão de nem mencionar qual é por não criticar o seu conteúdo em si, foi produzido em massa. Sei que ele ainda vai circular muito. Quem quiser, o encontrará. Mas, veja bem, não nego que é um prejuízo para o potencial de leitura do meio como um todo. Por isso mesmo digo que é um s a c r i f í c i o . Mas é por uma imagem. Também se lê imagens, e creio que essa é uma bem forte e impactante. Ela também será lida e terá seu alcance.

Pense que dessa vez pode ter valido a pena...

Ousemos!

PS: Mas, clar@ , com moderação, muita!!
É muito bom fazer essa reflexão pra não virar apologia a queimas grosseiras de acervos, que eu sei que rolam, desprezo e condeno. Sacrifício torpe, por ignorância, por política... Assassinato de histórias, de passados possíveis...
Mas sempre há de sobrarem cinzas, rastros..!

PS.: Tu escreveu bonito!

3 comentários:

  1. Pensamos assim por termos um estudo mais aprofundado, estudamos em boas escolas e universidades, fazemos parte de um círculo (a tal elite acadêmica... rsrs), tivemos a oportunidade de obtermos uma vasta cultura, além de outros fatores. Por isso, achamos o que achamos desse tipo de leitura. Leitura esta, mastigada, de pensamentos e frases prontas para atitudes potencialmente já traçadas.
    Enfim, não precisamos dela. O autor sabe disso de tal modo que escreve com determinadas palavras, de um determinado modo. Tudo é detalhadamente planejado. Ele é experto, deveras.
    Mas, por outro lado, tem pessoas que precisam dessa leitura, pois é a que elas conseguem entender! Se, de repente, dermos um livro do Machado de Assis? Acontecerá um tipo de analfabetismo funcional: ela vai compreender o vocabulário (ou não), mas não vai saber o que, de fato, ele está tentando nos falar. O livro de auto ajuda, em termos de entendimento, vai ter sido muito mais válido e produtivo. (E nem cabe a mim julgar o nível, tipo ou qualquer outra coisa sobre pessoas, elas apenas não estão preparadas)
    Considerando um mundo como uma biblioteca gigante, adoto vários tipos de perfis de usuários, logo, em vez deste livro estar presente em uma biblioteca universitária (a tua), por que ele não está numa biblioteca pública? Só acho que a limpeza poderia ser feita a partir de uma doação.

    ps: eu entendi e concordo parcialmente com o que disse e fez. Acredito na simbologia de atos ousados.

    ps: Na verdade, eu danço bonito.

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  2. Sobre esse tema, achei interessante comentar... nossa como eu adoro dar pitaco. Mas é legal, juro. (Atenção para os itens 2 e 3)

    Gosto por demais das leis de Ranganathan, embora bastante simplórias (ou será que por isso gosto tanto delas...) Enfim, saca só:

    1 - Os livros são para serem usados - o livro é um meio que impulsiona o conhecimento. E podemos observar a importância de uma biblioteca na seguinte frase: "quem tem informação, tem poder". Aponta para o livro como um meio e não como tendo um fim em si mesmo.

    2 - Todo leitor tem seu livro - o bibliotecário deve fazer o estudo dos usuários, observando a clientela para preparar o acervo. Aponta para a seleção de acordo com o perfil do usuário.

    3- Todo livro tem seu leitor - refere-se a disseminação da informação, em que se deve divulgar os livros existentes em cada biblioteca. Aponta para a importância da divulgação do livro, sua disseminação, antecipando a estética da recepção.

    4 - Poupe o tempo do leitor - a arrumação e catalogação dos documentos diminui o tempo necessário para encontrar a informação desejada. Aponta para o livre acesso às estantes, o serviço de referência e a simplificação dos processos técnicos.

    5 - Uma biblioteca é um organismo em crescimento - o bibliotecário deve controlar esse crescimento, verificando qual a informação que está sendo usada, através de estatísticas da consulta e empréstimo. Decorre da explosão bibliográfica que exige atualização das coleções e previsão do crescimento da área ocupada pela biblioteca.

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  3. Valeu pelas contribuições Camila!
    Só pela discussão já valeu o ato. :D

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