quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Cavucando ritmos e memórias...


“Em terra que tem minhoca e eu gostá de cavucar,
Ô de cavucar, criolá de cavucar.”
Clementina de Jesus

Recentemente, resolvi mexer nos vinis parados aqui de casa. Limpar, triar, organizar, catalogar, enfim, mexer, tirar do ostracismo a que estavam injustamente condenados. Não é querendo puxar sardinha para minha área de formação, mas o relato que segue poderia ser considerado um manifesto pró-organização de acervos, especialmente os particulares, de família, que guardam preciosidades inimagináveis...




Um primeiro ponto positivo está em conhecer-se. Entrando em contato com as marcas das histórias daqueles discos, deparei-me com memórias de família. Assinaturas de tios marcando a posse, dedicatórias de ex-namoradas apaixonadas de meu pai... Fora o desgaste de cada um, os remendos nas capas... Dá pra imaginar quais foram mais tocados ou mais bem cuidados. E quão especial foi rever os discos de músicas infantis e historinhas que eu tanto ouvia. Em um deles encontrei na capa riscos que parecem minhas primeiras tentativas de escrever meu nome. Impagável!



Os conhecimentos adquiridos com essa experiência vão além. Ouvi artistas que sequer sabia que existiam, como o simpático grupo Tarancón e os cantores populares Cascatinha e Inhana. Fora que os “bolachões” são em si fontes para estudo da época em que foram produzidos. Uma capa colorida com gírias ilustra a década de 1970, um compacto brinde de uma revista com a última entrevista de Lennon é um documento histórico que deve ter sido recebido com frisson no calor da morte do Beatle.



Elaborar uma tabela e fazer o catálogo fizeram parte do conhecimento técnico que adquiri. Sem falar na pesquisa a respeito de como limpa-los e ainda na que continuarei fazendo para restaurar as capas mais danificadas. O catálogo feito me permite ainda trocar informações com outros possuidores de LPs e EPs para intercâmbios, empréstimos, etc e tal.

Os próximos alvos são os VHS, CDs, DVDs, livros...

Parodeando a cantora carioca, cujo dom também passou despercebido por tanto tempo e nos presenteou com tanta riqueza quando tirado do limbo:
onde se tem poeira eu gostá de cavucar, ô de cavucar, criolá de cavucar...  ♪ ♫

(Veja aqui um vídeo em homenagem à Clementina de Jesus com a música a que faço referência. Ah se eu tivesse um vinil dessa mulher!)

6 comentários:

  1. Clicando nas fotos pode vê-las maiores! Ficaadica!

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  2. Amei o texto e me emocionei. Não sei se por estar fazendo algo semelhante: trazendo meus vinis que estão no quartinho do fundo(no ostracismo) para a sala!!! Então, ao limpá-los um por um, revejo mts momentos, lembranças. Hj quase chorei ao ver danificado o Arca de Noé 2 (COR DE ROSA)!!! Vou ter que comprar outro!!!

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  3. Lindo amor! Adorei tudo, o texto e o fato de vc estar organizando alguma coisa nessa nossa casa. beijos.

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  4. Obrigada! Que bom que te emocionei tia Goretti... Essa é a ideia.
    E sim, mãe. Entrei agora numa batalha de arrumação que pretendo encerrar ainda este ano! :)

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  5. "...dedicatórias de ex-namoradas apaixonadas de meu pai..."

    Daria pra fazer um inventário dos futuros que não aconteceram. :)

    PS: Gostei do blog, não conhecia.

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