terça-feira, 6 de março de 2012

I Oficina de corridos NZambi Brasília - um relato


Eu vou contar uma história
do que ontem aconteceu
Gente boa reunida
só pode dar no que deu...

A oficina foi um sucesso!
Muita ideia na cabeça
Deixou ladainha, corrido e verso
pra que dela não se esqueça.

Primeiro uma discussão
deu lembrança a muito nome
Falou-se em Rosa Palmeirão
Nêga Didi e 12 hôme

Escrava Xica da Silva
Maria Bonita do sertão
Também Teresa e Idalina
e Maria Aragão.

No canto foi o nome Maria
uma unanimidade
da Penha entrou na cantoria,
muita mulher de verdade!

Também a própria angoleira
em suas faces foi cantada
da coreira à marisqueira
da menina à namorada.

Até uma figura faceira
nessa noite foi criada
No berimbau: Maria Pereira,
tocadora arretada!

Mas nem só da oralidade
surgiu tanta coisa boa
inspirando criatividade
os livros não vieram à toa...

Começou então a homenagem
À mulher, à brasileira
nutrindo a capoeiragem
vibrando a lilás bandeira!



Registro da primeira oficina de corridos da Associação Cultural de Capoeira Angola N'Zambi  ACCAZ/Brasília, na semana "Dona Maria como vai você?" em homenagem ao dia das mulheres

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Passiflora III - À flor da pele...

É difícil imaginar uma sociedade em que não haja ou tenham havido tatuagens...
Em geral em sociedades tribais, a dermopigmentação está inserida nos rituais de passagem, marcando transformações.
Que esta marque em mim também o início de uma fase muito mais apaixonada!

De fato tenho andado à flor da pele, mas isso nem sempre traz coisas agradáveis. A paixão é capaz de nos fazer agir como touros desenfreados, o que pode trazer certos desconfortos quando a calmaria chega...

Mas que venham as coisa boas que a paixão tem a oferecer... E por essa nova parte de mim estou verdadeiramente apaixonada!


O artista:  Mauro César
http://maurocesartattoo.blogspot.com/


Clique aqui para ler artigo interessante da Revista de História da Biblioteca Nacional sobre Tatuagens

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Passiflora II - Entre histórias e aguhas...


Nem toda passiflorina das 150 espécies de maracujás nativas do Brasil seria suficiente para anestesiar a dor que aquelas agulhinhas me causavam. A passiflorina é a famosa substância calmante dessa fruta que tem o Brasil como seu maior produtor. E não é de hoje que nosso país abriga a "erva que dá fruto". Foi assim que, em 1587, o historiador Gabriel Soares de Sousa chamou a planta trepadeira em seu Tratado Descritivo do Brasil, primeiro registro do fruto no país. Diz-se também que, já nas primeiras décadas do século seguinte, a fruta da paixão foi dada de presente ao Papa Paulo V (1605-1621), que a cultivou em Roma e a considerava "revelação divina" por sua exuberância. Há quem diga ainda que surgiu aí uma ligação da fruta com a Paixão de Cristo, o que lhe renderia inspiração para o nome científico.

Enfim... Em meio a essas histórias/estórias tracejo as minhas. Fiquem com os registros do processo...














Por enquanto....

Que venha a segunda sessão!






Registros: Bruno Borges
Arte: Mauro César

domingo, 29 de janeiro de 2012

Passiflora I. "A flor do desejo e do maracujá..."

Passiflora edulis Sims. Esse é o nome científico de uma das flores mais bonitas e atraentes que já tive o prazer de ver e ainda por cima ter em casa. A flor do maracujá, cuja beleza é cantada em músicas populares, traz cores e formas sedutoras quase que psicodélicas.

Já o fruto, só pelas traduções de seu nome em outras línguas, expõe a atmosfera que inspira: passion fruit em inglês, fruit de la passion em francês, passionsfrucht em alemão, frutto della passione no italiano...
Mas a fruta, típica da América tropical e subtropical, por essas bandas recebe nomes bem distintos.
M a r a c u j á  vem do tupi e, segundo o que circula pela WEB, significa fruto que se serve ou alimento em cuia. Granadilla é o nome que recebe em espanhol, segundo o Google tradutor...

Soltem o som de Moraes Moreira e Pepeu Gomes consegrado pelo Cidade Negra e desfrutem por aqui de algumas imagens do quintal.







Aguarde...
          Continua...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

SARAMAGO, José. Clarabóia. 2011.

No natal do ano que passou, vivi situações curiosas com homônimos. Em um amigo oculto, meu namorado sorteou uma amiga que está grávida de uma Clara. Neste mesmo amigo oculto, a futura mamãe se emocionou ao revelar que eu, Clara, era a sua sorteada. Já numa segunda confraternização, foi com empolgação que dei a dica: “a pessoa que eu tirei tem comigo uma relação homônima!”. Podiam-se ouvir os grilos, acho que ninguém viu muita graça... Mas prontamente a menina que eu tirei se apresentou: Clara.

Espero não ter vos cansado na leitura, pois, na verdade, o homônimo que aqui me interessa é outro...

Capa do lançamento da
Companhia das Letras.
Não sei se influenciou muito a minha sede por ler um romance, mas devorei a última obra de Saramago: Clarabóia. Última a ser publicada, mas das primeiras a serem escritas. Quando somava trinta e poucos anos, o escritor português enviou a obra para uma editora de Lisboa, mas ela acabou esquecida numa gaveta... Resgatada já na década de 1980, o autor preferiu não publicá-la em vida e coube à família divulgá-la agora.

Sobre as tramas cotidianas de seis apartamentos de um pequeno prédio de uma região simples de Lisboa, Saramago tece narrativas instigantes. Trata com profundidade dos personagens. Da dureza do jovem estudante que chega para alugar um quarto, do rancor da espanhola que vive arrependida de casar-se com um português, das lições de vida do sapateiro que vive serenamente com a esposa, das contradições da moça sedutora que vive às custas do amante, da tensão carnal do casal que perdeu a única filha e se despreza...

O Portugal retratado nas entrelinhas da rede tecida é o do ano de 1952, quando o regime ditatorial de Salazar completava duas décadas. Ademais, a década que se encontrava no início ficou marcada por mudanças culturais no país e no mundo com a chegada da televisão, popularização dos automóveis, era de ouro do cinema... É, então, nesse ínterim que emergem o prazer, a dor, a liberdade, as forças e fraquezas, o sexo, a vergonha, a esperança, a autoridade... E quando tudo parecia encerrar-se como um elogio ao amor, o leitor se surpreende.

Nada de parágrafos muito longos
e pontuações confusas
Do mesmo autor só havia tentado ler O Evangelho Segundo Jesus Cristo, mas não tive disposição suficiente e não conclui. Fora isso havia tido contato com o Ensaio Sobre a Cegueira apenas em apresentação teatral e cinematográfica. Porém, posso dizer que me surpreendi com a leitura de Clarabóia. Esperava algo moroso com pontuação confusa e longos parágrafos, mas o que encontrei foi uma leitura fluida e cativante.


No mais, foi interessante ouvir me perguntarem sobre a possível relação entre o nome deste blog com o da obra... Há sim uma relação. Homônima, apenas, mas com a qual me simpatizei. Ler este livro em pleno clima de renovação de ano novo permitiu identificações e reflexões proveitosas... e saborosas. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O que os olhos não vêem...


Outro dia, naquele já falado ato de cavucar – desta vez os livros da família, deparei-me com um título que me chamou a atenção: Seus Olhos: depoimentos de quem não vê, como você nunca viu.

Trata-se de depoimentos de diversos deficientes visuais reunidos em fluente narrativa por Ana Lavratti e Paulinho Ferrarini. A obra integra um projeto maior de 2002 da Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC), uma sociedade civil sem fins lucrativos fundada em 1977 cuja sede localiza-se em Florianópolis. 

O trabalho desenvolvido pela Associação impressiona. Consiste em atendimentos psicológicos e orientadores; treinamentos, alguns cuja existência eu desconhecia completamente, como escrita cursiva para cegos ou técnicas de Sorobã (aparelho para cálculos); apoio pedagógico e tecnológico e até mesmo alojamento para os alunos com dificuldades de locomoção.

Mas longe de ser apenas um panfleto institucional, o que mais chama atenção mesmo são os depoimentos recolhidos. Você já parou pra pensar na visão de mundo de uma criança de sete anos cega de nascença? “Além das pessoas eu não queria ver nada. Eu vou ver objeto? Não. Pra quê? É só ir lá e passar a mão!”, diz ela. E no que tem a dizer uma mulher com quase 40 anos que aos 15 perdeu a visão, o paladar e o olfato por conta de um tiro que se deu na cabeça no dia da sua festa de debutante? “Eu digo que esse foi meu presente de 15 anos. Eu levo na brincadeira, porque graças a Deus estou bem”. Ou em como se sente um homem que aos 26 anos, quando sua filha única não tinha nem completado um ano, perdeu a visão jogando futebol? “A gente tem que viver da melhor forma possível. Mas dizer que aceita a cegueira, que vive muito bem assim, que é feliz, isso não existe...”.

São dignas de nota ainda a edição sinestésica do texto, as folhas cuja textura parece a das de revista, as informações médicas e estatísticas nos rodapés, a legislação sobre o assunto anexa... Há também a lembrança que o livro me trouxe de uma reportagem da Revista Campus Repórter da UnB, nº 6 de 2010, sobre a audiodescrição, recurso desenvolvido nos EUA desde a década de 1980 e que chegou ao Brasil em 2003 no Festival Assim Vivemos facilitando a acessibilidade dos deficientes visuais ao cinema e demais produtos audiovisuais. Lembrei também daquela biblioteca Braille no centro de Taguatinga, você conhece?

Não se trata de um manifesto piegas em defesa da diversidade, mas sim de uma complexificação de questões que parecem às vezes banais. Com essas leituras, ficou claro pra mim como nossos preconceitos em relação às limitações alheias ofuscam as nossas próprias.

Curiosa e finalmente, enquanto ainda digeria as últimas páginas do livro, ressoou no primeiro jornal local da manhã: “Deficientes visuais encontram dificuldades em entrar em táxis com cão-guia”... 

Referências:

FERRARINI, Paulinho & LAVRATTI, Ana. Seus Olhos. Joinville, SC: Letradágua, 2002.

BANUTH, Patrícia & MARQUEZ, Marina. Enxergando o invisível. In: Campus Repórter, nº 6. Brasília, Universidade de Brasília, 2010.

Links:



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Aconteceu: Centenário de Eudoro de Sousa

Há 11 dias, no dia 11 do 11 de 2011, encerrou-se o encontro de celebração do centenário do pensador português cujos traços ainda rabiscam os horizontes de Brasília: Eudoro de Sousa.
Eis aqui alguns registros meus... (clicando nas fotos, abre-se uma janela para vê-las maiores)
Divulgação do evento: 10 e 11 de novembro de 2011
no Auditório 2 Candangos da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.

Mesa 1: Memórias. Com Ordep Serra, Maria Paula Vasconcelos ,
 José Santiago Naud e João Ferreira

Mesa 2: Filosofia Neo-helênica no Brasil e na América Latina.
Com Constança Marcondes César,  Júlio Cabrera e Bruno Borges
Mesa 3: Filosofia e complementariedade em Eudoro de Sousa.
Com Leonel Antunes, Walter Menon, Luis Suffiati e Hilan Bensuasan. 
Mesa 5: Helenismo e história. Com Eduardo Carreira, André Pontes Gaio e Marcus Mota.
Mesa 6: Mito e linguagem. Com Reginaldo Gontijo,
Francisco K e Ordep Serra



Confraternização de encerramento
e a circularidade em busca de sábias palavras...

... comidas, conversas...

... e livros...


Deste evento marcado pela diversidade de perspectivas, lamento não ter registros, entre outras coisas, em especial da Mesa 4: Mouseion Eudoro de Sousa, Com Pedro Mesquita de Carvalho, José Santiago Naud e Bruno Borges...

Para saber mais:
Blog do evento: 100eudoro.blogspot