No natal do ano que passou, vivi
situações curiosas com homônimos. Em um amigo oculto, meu namorado sorteou uma
amiga que está grávida de uma Clara. Neste mesmo amigo oculto, a futura mamãe
se emocionou ao revelar que eu, Clara, era a sua sorteada. Já numa segunda
confraternização, foi com empolgação que dei a dica: “a pessoa que eu tirei tem
comigo uma relação homônima!”. Podiam-se ouvir os grilos, acho que ninguém viu
muita graça... Mas prontamente a menina que eu tirei se apresentou: Clara.
Espero não ter vos cansado na
leitura, pois, na verdade, o homônimo que aqui me interessa é outro...
| Capa do lançamento da Companhia das Letras. |
Não sei se influenciou muito a
minha sede por ler um romance, mas devorei a última obra de Saramago:
Clarabóia. Última a ser publicada, mas das primeiras a serem
escritas. Quando somava trinta e poucos anos, o escritor português enviou a
obra para uma editora de Lisboa, mas ela acabou esquecida numa gaveta...
Resgatada já na década de 1980, o autor preferiu não publicá-la em vida e coube
à família divulgá-la agora.
Sobre as tramas cotidianas de
seis apartamentos de um pequeno prédio de uma região simples de Lisboa,
Saramago tece narrativas instigantes. Trata com profundidade dos personagens. Da dureza do jovem estudante que chega para alugar um quarto, do rancor da
espanhola que vive arrependida de casar-se com um português, das lições de vida
do sapateiro que vive serenamente com a esposa, das contradições da moça
sedutora que vive às custas do amante, da tensão carnal do casal que perdeu a
única filha e se despreza...
O Portugal retratado nas
entrelinhas da rede tecida é o do ano de 1952, quando o regime ditatorial de Salazar
completava duas décadas. Ademais, a década que se encontrava no início ficou
marcada por mudanças culturais no país e no mundo com a chegada da televisão,
popularização dos automóveis, era de ouro do cinema... É, então, nesse ínterim que
emergem o prazer, a dor, a liberdade, as forças e fraquezas, o sexo, a
vergonha, a esperança, a autoridade... E quando tudo parecia encerrar-se como
um elogio ao amor, o leitor se surpreende.
| Nada de parágrafos muito longos e pontuações confusas |
Do mesmo autor só havia tentado
ler O Evangelho Segundo Jesus Cristo, mas não tive disposição suficiente e não
conclui. Fora isso havia tido contato com o Ensaio Sobre a Cegueira apenas em
apresentação teatral e cinematográfica. Porém, posso dizer que me surpreendi
com a leitura de Clarabóia. Esperava algo moroso com pontuação confusa e longos
parágrafos, mas o que encontrei foi uma leitura fluida e cativante.
No mais, foi interessante ouvir me perguntarem sobre a possível relação entre o nome deste blog com o da obra... Há sim uma relação. Homônima, apenas, mas com a qual me simpatizei. Ler este livro em pleno clima de renovação de ano novo permitiu identificações e reflexões proveitosas... e saborosas.
Clara, linda sua empolgação com o Saramago. Este livro deve ser legal, estive em Lisboa recentemente e aquelas ruas, a cidade baixa, os cafés, os becos, tudo, os costumes, como há entre nós uma pertença cultural ainda, para muitos, a ser descoberta. Espero que possamos ir a Portugal juntos, lá é lindo e surpreende!
ResponderExcluirB
Clara, vc está ficando realmente boa nisso!! Conte mais depois sobre o motivo de vc ter escolhido esse nome pro blog! Beijo amável!
ResponderExcluirQue que eu posso dizeR? Que Amo a mi hermana?? =) Tá massa , Crara! É bonito mesmo te ver desfrutando de mundos tão diversos, lançando-te na fantasia da leitura...Quem segue por essa estrada se mantêm assim...sempre jovem, ativa e linda.. ^^ Besuuuuus!!!!
ExcluirAdoooro o apoio de vocês... :)
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