segunda-feira, 23 de abril de 2012

Você parece indefesa


Tenho passado por oscilações perturbadoras entre insegurança e orgulho, desistência e resistência. Coisa que fases novas e desafios que nos tiram da nossa zona de conforto provocam na gente.

Hoje uma coisa inusitada aconteceu e me deu certa força misteriosa. Às vezes, o místico se desperta onde menos se imagina...

A caminho de mais uma noite de plantão, parei para comprar uma água na conveniência de um posto de gasolina nessa cidade menosprezada da periferia. À porta da loja, estava o vendedor uniformizado e ao seu lado um homem de trinta e poucos anos aparentemente embriagado. Aliás, não seria arrogância dizer que ele estava certamente embriagado. Este homem não estava mal vestido, não parecia ser morador de rua, nem estava agressivo, só o que justificava o clichê “bêbado” era o olhar perdido e as movimentações cambaleantes. Ele simplesmente estava lá, sentado com certa cara de frustração, talvez seu time tenha perdido num desses jogos de domingo à tarde...

Rapidamente entrei, comprei a água e me dirigi ao carro. Nesta movimentação, o bêbado me surpreendeu com uma frase repentina que agora ecoa na minha cabeça:

“Você parece indefesa, mas não é.”

Surpresa, eu só pude abrir um sorriso e concordar: “Não, não sou.” E assim segui meu caminho e ele me acompanhou com o olhar até eu entrar no carro. 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Cri... Cri... Cri...

É assim que fica o blog de uma recém mestranda que está tentando se adaptar ao novo ritmo.

terça-feira, 6 de março de 2012

I Oficina de corridos NZambi Brasília - um relato


Eu vou contar uma história
do que ontem aconteceu
Gente boa reunida
só pode dar no que deu...

A oficina foi um sucesso!
Muita ideia na cabeça
Deixou ladainha, corrido e verso
pra que dela não se esqueça.

Primeiro uma discussão
deu lembrança a muito nome
Falou-se em Rosa Palmeirão
Nêga Didi e 12 hôme

Escrava Xica da Silva
Maria Bonita do sertão
Também Teresa e Idalina
e Maria Aragão.

No canto foi o nome Maria
uma unanimidade
da Penha entrou na cantoria,
muita mulher de verdade!

Também a própria angoleira
em suas faces foi cantada
da coreira à marisqueira
da menina à namorada.

Até uma figura faceira
nessa noite foi criada
No berimbau: Maria Pereira,
tocadora arretada!

Mas nem só da oralidade
surgiu tanta coisa boa
inspirando criatividade
os livros não vieram à toa...

Começou então a homenagem
À mulher, à brasileira
nutrindo a capoeiragem
vibrando a lilás bandeira!



Registro da primeira oficina de corridos da Associação Cultural de Capoeira Angola N'Zambi  ACCAZ/Brasília, na semana "Dona Maria como vai você?" em homenagem ao dia das mulheres

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Passiflora III - À flor da pele...

É difícil imaginar uma sociedade em que não haja ou tenham havido tatuagens...
Em geral em sociedades tribais, a dermopigmentação está inserida nos rituais de passagem, marcando transformações.
Que esta marque em mim também o início de uma fase muito mais apaixonada!

De fato tenho andado à flor da pele, mas isso nem sempre traz coisas agradáveis. A paixão é capaz de nos fazer agir como touros desenfreados, o que pode trazer certos desconfortos quando a calmaria chega...

Mas que venham as coisa boas que a paixão tem a oferecer... E por essa nova parte de mim estou verdadeiramente apaixonada!


O artista:  Mauro César
http://maurocesartattoo.blogspot.com/


Clique aqui para ler artigo interessante da Revista de História da Biblioteca Nacional sobre Tatuagens

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Passiflora II - Entre histórias e aguhas...


Nem toda passiflorina das 150 espécies de maracujás nativas do Brasil seria suficiente para anestesiar a dor que aquelas agulhinhas me causavam. A passiflorina é a famosa substância calmante dessa fruta que tem o Brasil como seu maior produtor. E não é de hoje que nosso país abriga a "erva que dá fruto". Foi assim que, em 1587, o historiador Gabriel Soares de Sousa chamou a planta trepadeira em seu Tratado Descritivo do Brasil, primeiro registro do fruto no país. Diz-se também que, já nas primeiras décadas do século seguinte, a fruta da paixão foi dada de presente ao Papa Paulo V (1605-1621), que a cultivou em Roma e a considerava "revelação divina" por sua exuberância. Há quem diga ainda que surgiu aí uma ligação da fruta com a Paixão de Cristo, o que lhe renderia inspiração para o nome científico.

Enfim... Em meio a essas histórias/estórias tracejo as minhas. Fiquem com os registros do processo...














Por enquanto....

Que venha a segunda sessão!






Registros: Bruno Borges
Arte: Mauro César

domingo, 29 de janeiro de 2012

Passiflora I. "A flor do desejo e do maracujá..."

Passiflora edulis Sims. Esse é o nome científico de uma das flores mais bonitas e atraentes que já tive o prazer de ver e ainda por cima ter em casa. A flor do maracujá, cuja beleza é cantada em músicas populares, traz cores e formas sedutoras quase que psicodélicas.

Já o fruto, só pelas traduções de seu nome em outras línguas, expõe a atmosfera que inspira: passion fruit em inglês, fruit de la passion em francês, passionsfrucht em alemão, frutto della passione no italiano...
Mas a fruta, típica da América tropical e subtropical, por essas bandas recebe nomes bem distintos.
M a r a c u j á  vem do tupi e, segundo o que circula pela WEB, significa fruto que se serve ou alimento em cuia. Granadilla é o nome que recebe em espanhol, segundo o Google tradutor...

Soltem o som de Moraes Moreira e Pepeu Gomes consegrado pelo Cidade Negra e desfrutem por aqui de algumas imagens do quintal.







Aguarde...
          Continua...