Acordo há dias antes do sol... Amanhã é sábado, hoje vou fechar as cortinas.
------------
A r q u i v o :
MIcroconto I
Microconto II (No tempo da emergência de hospital...)
sábado, 23 de março de 2013
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Carta sobre a Felicidade
(Edição utilizada para estes comentários) EPICURO."Carta sobre a Felicidade". São Paulo: editora UNESP, 2002.
Carta sobre e Felicidade, esse é o título dado à carta que Epicuro (341-270 a.C.) escreveu a Meneceu, seu discípulo.
Foi com certo pé atrás que resolvi lê-la…Desconfiança gerada não pelo
lugar-comum de que a filosofia epicurista se confunde com o hedonismo
(idéia quebrável com a leitura desta carta), mas pela crença de que a
felicidade total é inalcançável e mesmo indesejável, assim como um
suposto equilíbrio eterno do espírito. Não enxergo a felicidade e a
harmonia como um fim último na vida do ser humano. Tal fim nunca se
daria, até mesmo pela existência constante de ciclos pelos quais todos
aqueles que não se acomodam passam…Ciclos que representam travessias,
superações e que envolvem dores, angústias…
A trilha do auto-conhecimento é eterna, não devemos criar
expectativas de concluí-la para podermos ficar em paz, para sermos
felizes, adquirindo o que Epicuro chama de “saúde do espírito”. Mas
podemos, sim, tornar essa caminhada mais compreensível e encará-la com
mais maturidade e autonomia. É neste ponto que entram as contundentes
recomendações epicuristas, desmontando minha desconfiança.
Para Epicuro, a felicidade do homem deve ser a finalidade da
filosofia e para que o homem atinja uma vida feliz, ele precisa meditar
sobre alguns assuntos…
A MORTE
“A morte não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações”(Epicuro,p.27)Na carta, fica claro que a morte não deve ser perturbadora para o sábio, até mesmo porque “quando estamos vivos, a morte não está presente, quando a morte está presente, nós é que não estamos”(p.29). Sem mais se afligir com a morte, o homem pode fruir a vida efêmera como é, ” sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade”(p.27). Assim, “o sábio nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal”(p.31).
O FUTURO
“O futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não nosso, não somos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais.”(p.33)Epicuro preserva a força da vontade humana no desenrolar da vida, fugindo de fatalismos ao mesmo tempo em que admite a importância da sociedade e da consciência moral.
PRAZER E DOR
“Todo prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas”(p.39)É aqui que ele se distancia do hedonismo, do prazer como bem supremo. Ele busca critérios de benefícios e danos e de qualidade invés de quantidade. Assim, muitas dores são necessárias e muitos prazeres indesejáveis para uma vida mais saudável.
DESAPEGO
“desfrutam melhor a abundância, os que menos dependem dela.”(p.41)Devemos nos habituar às coisas simples, pois sem a exigência pelo luxuoso e abundante aprende-se a valorizar o pouco quando é o que se tem e a lidar melhor quando se tem o excesso. “Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta”(p.41).
A PRUDÊNCIA
“exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas perturbadoras do espírito”(p.45)É esse exame cuidadoso que Epicuro considera o princípio e o supremo bem, a partir do qual surgem todas as outras virtudes.
___________________
Por fim, concluo como concluiu ele próprio e que façam vocês o proveito que acharem cabível de todas essas sábias palavras.
“Medita todas estas coisas (…) e viverás
como um deus entre os homens. Porque não se assemelha absolutamente a
um mortal o homem que vive entre bens imortais.”(p.51)
Comentários traçados em 2010.
As máquinas e o amor aos livros
“A máquina não é senão uma nova ferramenta inventada pelo homem, que a maneja como quer.”
Rubens Borba de Moraes
Hoje, os incunábulos -primeiras obras impressas a partir da invenção da tipografia, por volta de 1445, até o ano de 1500- , obras de indiscutível raridade, são alvo de desejo de qualquer amante de livros. Porém, os primeiros impressos foram renegados por contemporâneos à sua origem.
Muitos que assistiram o
nascimento da tipografia viram com desconfiança a impressão.
Consideravam a máquina algo “vulgar, imperfeita e menos nobre que a mão
do homem” (MORAES, 2005, p.197). Tal preconceito pode ser comparado à
crítica mais recente em relação à produção em massa de livros. Hoje, não
são mais os incunábulos alvo de descrédito, pelo contrário, o que
existe são “bibliófilos que desprezam os livros modernos, impressos
mecanicamente aos milhares. Para esses amadores, só tem valor artístico o
livro impresso à mão e tirado a poucos exemplares” (Idem, ibidem,
p.196).
Tais receios e desconfianças podem ser analisados à luz da célebre frase de Padre Claude Frollo no romance de Victor Hugo[1]: Ceci tuera cela.
Isto matará aquilo, foi o que disse a personagem no século XV, após a
invenção da tipografia, indicando, como analisa Umberto Eco, que “o
livro vai matar a catedral, o alfabeto matar as imagens e incentivar a
informação supérflua” (ECO, 2003, p.3). Talvez seja esse medo do novo,
essa sensação de ameaça ao antigo e tradicional o que motivou e motiva
tais preconceitos.
Porém, apesar dessas críticas que circulavam
os incunábulos e que podem ser vistas como influência no caráter longo e
complexo da transição do manuscrito ao impresso (afinal, até o século
XVI não era incomum a feitura de manuscritos), há sinais que indicam que
a bibliofilia não rejeitou de todo a essência artística da tipografia. A
arte tipográfica foi, inclusive, vista como uma arte hermética, para
iniciados, que deveriam prometer segredo sob juramento.
É digno de nota também o primeiro incunábulo sobre bibliofilia, Philobiblon,de
Ricardo de Bury, impresso em 1473. Foi elaborado ainda em forma de
pergaminho, manuscrito em 1345, mesmo ano da morte de seu autor,
beneditino inglês apaixonado por livros que fez questão de deixar
registrada a maneira como deveriam dispor de sua notável biblioteca após
sua morte. Leitura fundamental aos bibliófilos, trata de cuidados
essenciais a serem dispensados aos livros, incluindo como estimá-los e
até mesmo como compartilhá-los com estudantes. Sua obra está hoje também
disponível em versão bilíngüe (latim e português) Philobiblon ou o amigo do livro, pela Ateliê Editorial, com tradução e notas de Marcelo Cid.
Percebe-se que não foi pacífica a aceitação
da tipografia pela bibliofilia, assim como ainda hoje não é unânime a
idéia de que “industrializar não é enfeiar” (MORAES, 2005, p.196).
Texto escrito tendo como estímulo trabalhos desenvolvidos na disciplina História do Livro e das Bibliotecas, cursada na UnB em 2010.
FONTES:
ECO, Umberto. Muito Além da Internet. Palestra na Biblioteca de Alexandria, no Egito, Dez/2005. Disponível no sítio: http://www.ofaj.com.br/textos_conteudo.php?cod=16 . Acessado em: 23 de julho de 2010.MORAES, Rubens Borba. O Bibliófilo Aprendiz. 4ª edição. Brasília, DF: Briquet de Lemos/ Livros: Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005.
[1] Notre Dame de Paris, romance de Victor Hugo que também ficou conhecido como O Corcunda de Notre Dame, publicado em 1831.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
V Encontro de Capoeira Angola da Chapada dos Veadeiros
V Encontro de Capoeira Angola da Chapada dos Veadeiros
Foi lá em São Jorge,
que isso aconteceu.
Foi com Mestre Cobra Mansa
e Moraes, que é mestre seu.
Boas oficinas,
a galera compareceu.
Tanto que ficou lotado!
Vou te contar camará meu...
Mas deu pra aproveitar!
E muita coisa aprender...
Mestre Cobrinha a sorrir,
provou seu vício em se mover.
E também contou história,
que foi do circo à polícia!
E do Ngolo, claro,
ele também trouxe notícia...
Mestre Moraes falou, falou
Espetou e fez doer
o ego de muita gente.
Depois conto pra voismicê...
E cantou, cantou bonito!
Da capoeiragem baiana,
que carrega no seu rito
coisa indígena, branca e africana.
Na cabocla ele não bate,
o negro nagô não fede...
Mostra que toma cuidado
com os valores que repete.
E foi por um triz,
perdi a roda final...
Com aqueles dois mestres juntos,
acho que foi sensacional...
Esse foi um fim de semana,
e este um relato dessa viagem,
em que meu peito sempre batia,
o Maranhão, nossa linhagem.
Clara Ramthum do Amaral
(Relato de participação no V Encontro de Capoeira Angola da Chapada dos Veadeiros, realizado de 27/07 a 29/07/2012, no XII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em São jorge, GO)
que isso aconteceu.
Foi com Mestre Cobra Mansa
e Moraes, que é mestre seu.
Boas oficinas,
a galera compareceu.
Tanto que ficou lotado!
Vou te contar camará meu...
Mas deu pra aproveitar!
E muita coisa aprender...
Mestre Cobrinha a sorrir,
provou seu vício em se mover.
E também contou história,
que foi do circo à polícia!
E do Ngolo, claro,
ele também trouxe notícia...
Mestre Moraes falou, falou
Espetou e fez doer
o ego de muita gente.
Depois conto pra voismicê...
E cantou, cantou bonito!
Da capoeiragem baiana,
que carrega no seu rito
coisa indígena, branca e africana.
Na cabocla ele não bate,
o negro nagô não fede...
Mostra que toma cuidado
com os valores que repete.
E foi por um triz,
perdi a roda final...
Com aqueles dois mestres juntos,
acho que foi sensacional...
Esse foi um fim de semana,
e este um relato dessa viagem,
em que meu peito sempre batia,
o Maranhão, nossa linhagem.
Clara Ramthum do Amaral
(Relato de participação no V Encontro de Capoeira Angola da Chapada dos Veadeiros, realizado de 27/07 a 29/07/2012, no XII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em São jorge, GO)
domingo, 13 de maio de 2012
LIBAR, Marcio. O Pregoeiro.
![]() |
| Foto de Lincon Zarbietti, divulgada no blog Holofote Virtual. |
No início, o nome do espetáculo
das 22h não ficava na cabeça, sempre, tudo que eu podia lembrar sobre o título
do “espetáculo das 22h” pelo que eu tinha passado o olho na programação era: não-sei-o-que-lá-eiro.
Mas, resistimos ao frio de uma
hora na fila de espera mais três quartos de hora na fila de entrada, pra ver
uma peça da qual tinha ouvido apenas uma indicação do meio-irmão do namorado de
uma amiga: “muito boa!”. Eu nem conhecia lá muito bem o gosto desse conhecido,
mas não é que valeu mesmo a pena?
Do conteúdo do espetáculo, é
melhor não falar muito. Até porque você mesmo pode achar e se surpreender com
vídeos e registros outros na tal da web, e o melhor, com autorização do artista,
que não cedeu à parte mesquinha dos direitos autorais. Fato é que, assumo, no
início do espetáculo, tive medo do texto cair nos tais lugares-comuns... Mas a
queda que rolou não foi essa, e surpreendeu, e muito.
A riqueza teórica era de dar
inveja a muita dissertação e tese por aí, não duvido inclusive que o trabalho tenha
se originado de alguma apresentação acadêmica, como foi o caso de outra
excelente apresentação que vi recentemente na mesma sala de brasília[1].
Porém, o que me fisgou de vez mesmo
foi a sinceridade colocada em cena. Se aquele brilho nos olhos não era sincero,
se aquela paixão pela arte que estava sendo alimentanda não era verdadeira, a
atuação, no mínimo, teria sido inacreditável.
A sinceridade que me encantou foi
a daquele que assume a humildade depois de uma queda... Não uma humildade
covarde novelesca, uma humildade de quem se (re)conhece, de quem se (re)encontra,
sabe quem é e sabe que pode e deve ser quem realmente é. Humildade que
remonta às origens etimológicas da palavra, humus,
da terra...
Soa aqui um comentário um tanto
apaixonado, não? Como apaixonada foi a pregação
que acabei de assistir, daí entendi o nome pra não mais esquecer, p r e g o e i
r o .
Enfim, se me prolongar, estraga.
Vou é comer o último docinho da festa de aniversário que fui ontem e guardei na
geladeira, sabe aquele prazer infantil? Como o de uma criança que acabou de
voltar do circo encantado.
[1] UMBIGÜIDADES,
de Iami Rebouças, parte prática da sua dissertação de mestrado em Artes Cênicas
pela UFBA. Espetáculo que já brilha há mais de uma década e passou na Sala
Plínio Marcos, na FUNARTE-DF, mês passado, com um público muito menor (infelizmente)
do que a peça do FestClown que hoje assisti.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Você parece indefesa
Tenho passado por oscilações
perturbadoras entre insegurança e orgulho, desistência e resistência. Coisa que
fases novas e desafios que nos tiram da nossa zona de conforto provocam na
gente.
Hoje uma coisa inusitada
aconteceu e me deu certa força misteriosa. Às vezes, o místico se desperta onde
menos se imagina...
A caminho de mais uma noite de
plantão, parei para comprar uma água na conveniência de um posto de gasolina
nessa cidade menosprezada da periferia. À porta da loja, estava o vendedor
uniformizado e ao seu lado um homem de trinta e poucos anos aparentemente
embriagado. Aliás, não seria arrogância dizer que ele estava certamente embriagado. Este homem não
estava mal vestido, não parecia ser morador de rua, nem estava agressivo, só o
que justificava o clichê “bêbado” era o olhar perdido e as movimentações
cambaleantes. Ele simplesmente estava lá, sentado com certa cara de frustração,
talvez seu time tenha perdido num desses jogos de domingo à tarde...
Rapidamente entrei, comprei a
água e me dirigi ao carro. Nesta movimentação, o bêbado me surpreendeu com uma
frase repentina que agora ecoa na minha cabeça:
“Você parece indefesa, mas não
é.”
Surpresa, eu só pude abrir um
sorriso e concordar: “Não, não sou.” E assim segui meu caminho e ele me
acompanhou com o olhar até eu entrar no carro.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Cri... Cri... Cri...
É assim que fica o blog de uma recém mestranda que está tentando se adaptar ao novo ritmo.
Assinar:
Postagens (Atom)

